quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Tópica, de Marco Túlio Cícero

Em sua obra intitulada Tópica, o ilustre romano Marco Túlio Cícero escreve sobre como escrever e discursar:

E da mesma maneira nas narrativas para que correspondam ao seu fim, quer dizer, que sejam claras, breves, dignas de fé, verossímeis, naturais, plenas de nobreza. Estas qualidades devem encontrar-se em todo discurso, mas convêm mais especialmente à narração. A parte que segue à narrativa, a prova, é feita de persuasão; os termos mais eficazes para persuadir foram expostos a propósito da maneira de falar geral. A peroração, entre outros termos especiais, emprega sobretudo a amplificação, cujo efeito deve ser excitar ou acalmar os ânimos e, se estes já estão nessa disposição, o discurso deve aumentar esta emoção ou diminuí-la.

Postagem breve que eu gostaria de ter feito já há algum tempo, contudo só agora encontrei opurtunidade.

Até mais caros leitores!
Vítor

PS: Acrescentei um blog à lista Indicações. Ele aborda um assunto muito interessante, o Direito, e seus autores, João Gabriel e Guilherme, são competentíssimos.

domingo, 10 de agosto de 2008

Da vida

Quando você percebe que vale a pena viver longos e longos anos?

Quando seu avô, um homem com 90 anos nas costas (quase 91) e sobrevivente de dois infartos, demonstra uma disposição muito acima da média (de um jovem) e faz um discurso comovente e brilhante sobre responsabilidade e retidão!

É incrivelmente comovente ver um senhor tão idoso levantar-se e, sem perder o folêgo, fazer uso de uma oratória tão apurada! (Eu não sabia que meu avô era um grande orador!!! Que neto desnaturado eu sou!)

Além do mais, suas poucas palavras foram uma lição de vida que poucas pessoas já me transmitiram! Poderia dizer que aprendi muito mais em uns 15 minutos de "aula" com meu avô do que em boa parte das trocentas mil horas de aulas acadêmicas que eu tive!

Só posso terminar dizendo:

— Parabéns, vô! O senhor realmente me surpreendeu! Um Feliz Dia dos Pais!

Também não posso deixar de dizer:

— Feliz Dia dos Pais, pai!

Até outro dia, caros leitores.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Da guerra

Olá a todos!!

O texto que se segue é motivado por um minúsculo debate que tive com dois amigos. Minha participação foi bem curta porque eu tinha que resolver algumas coisas em um período de tempo bastante escasso. Por causa dessa curta participação, decidi escrever meus pensamentos aqui.

O debate iniciou-se pela discussão de quão cruel foram os atos que o Brasil realizou durante a Guerra do Paraguai e fez me refletir sobre a questão da guerra em geral.Inicialmente, é necessário definir, com exatidão, o objeto do estudo:

Guerra: luta armada entre nações, ou entre partidos de uma mesma nacionalidade ou de etnias diferentes, com o fim de impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos [Dicionário Houaiss]

Sabendo já o que é guerra, é possível analisar suas particularidades, mais especificamente o que se pode chamar de Ética na guerra. Esse campo da Filosofia da Moral, indaga se o ato bélico é moral, imoral ou amoral.

Alguns defenderiam que uma guerra pode ser justa, portanto moral, caso ela lute por ideais corretos, como a defesa da democracia e da humanidade.

Outros dizem que uma guerra é imoral, quando combate por objetivos vis e mesquinhos, como conquista de certos recursos naturais.

Os dois lados podem estar certos, contudo apenas sobre o que gerou a guerra. Eles não estão refletindo sobre o ato bélico, mas apenas sobre suas causas e motivações.

A guerra, considerando apenas seus combatentes (desde o soldado do front até o general do Alto Comando), é amoral, pois, nela, não existe mais a razão, sendo, portanto, impossível de qualificá-la como moral ou imoral. É possível afirmar isso, baseando-se em dois pilares:

  • Os combatentes não mais se importam com o certo ou errado, eles se importam com o sobreviver e farão tudo ao seu alcance para alcançar esse fim. Eles fugirão, matarão, farão massacres, desde que sobrevivem.

  • A guerra não é própria dos homens, como já disseram Cícero e Maquiavel "Existem, realmente, duas maneiras de resolver um diferendo: um pela discussão, o outro pela força: a primeira é própria do homem, a segunda dos animais; é preciso recorrer a esta última, se a precedente é impraticável." Sendo o ato bélico típico dos animais e estes incapazes de refletir, a guerra não pode ser julgado por preceitos morais, pois ela é amoral.

Além desses dois importantes fatores, é importante ressaltar que a guerra só se inicia quando todos os meios racionais de solução de controvérsias provaram-se ineficientes. Quando o Respeito, a Diplomacia e o Direito falham, a guerra se inicia. Em outras palavras, apenas quando a Razão mostrou-se integralmente incapaz de solucionar uma questão, os homens agem animalescamente e iniciam a guerra. Portanto, não havendo Razão na guerra, ela não pode ser rotulada como moral ou imoral, ela é apenas amoral.

Tendo a amoralidade da guerra sido clarificada, resta apenas mais um afirmação: não há juízo de valor no ato bélico. Ele não foi bom ou mal, ele apenas foi. Milhões de homens matarem outros milhões de homens não foi certo ou errado, apenas foi. Não cabe, no ato bélico, perguntar: "deve-se matar?" ou "deve-se fugir?". O que é válido e necessário é indagar, antes da guerra, se é racionalmente justo iniciá-la, pois, depois que ela começa, o instinto animal humano vai às últimas consequências.

Gostariam de comentários. Caros leitores, vocês concordam ou discordam?

Vítor Augusto Possebom

PS: Não defendo a guerra ou as atrocidades nela cometidas. Apenas defendo que os combatentes não cometeram atos bons ou mals. Quem talvez os tenha cometido foram os líderes, durante o pré-guerra.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Pergunta sobre o blog

Alguém saberia me dizer o porquê de até a postagem O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, os links estarem em bonitos tons de verde (quando ainda não visitados) e em simpáticos tons de azul claro (quando já visitados), enquanto que, a partir da postagem Do orador, de Marco Túlio Cícero, os links estarem em feios tons de azul escuro (quando ainda não visitados) e em antipáticos tons de roxo (quando já visitados)?

O pior de tudo é que na parte de Personalize as fontes e cores do blog, consta que os linsk deveriam estar verdes e azuis claros, como foram desde o início! E não dessas cores esdrúxulas que estão aprecendo???

Queria entender de html...

Então, alguém pdoeria me ajudar?

Dos Deveres, de Marco Túlio Cícero

Olá a todos!

Como vou escrever mais uma vez sobre Cícero, vou direto ao trechos do livro Dos Deveres que considerei mais interessantes:

  • O homem, pelo contrário, porque nele atua a razão, graças a ela distingue as ligações, vê as causas dos acontecimentos; os seus pródromos e, por assim dizer, os seus antecedentes não lhe escapam, relaciona as analogias; às coisas presentes ele liga e estabelece a conexão às futuras, assim abrangendo facilmente com o seu olhar o decurso de toda a vida e, para conduzir, previne o que é necessário. Esta mesma natureza, pela virtude da razão, inclina o homem para o homem, visando uma comundiade de linguagem e de vida; ela põe nele, acima de tudo, um amor especial pelos filhos; impele-o a querer que haja reuniões e assembléias e a freqüêntá-las; estimula-o ao esforço de procurar o que prover à sua conservação e subsistência, não somente para si, mas também para a sua esposa, os seus filhos e os outros seres que lhe são caros e a quem deve proteger; o ra, este cuidado estimula também as almas e engrandece-as para a ação.

  • Ora a natureza e a razão transpondo essa imagem do domínio da vista para o da alma, estima que é preciso, bem mais ainda, respeitar a beleza, a coerência, a ordem nos desíginios e nas ações; e acautela-se de toda a indignidade ou indolência, no conjunto dos seus pensamentos e dos seus atos, a fim de nada fazer ou pensar por paixão.

  • A primeira função da justiça é evitar que se prejudique alguém, se não se é provocado pela injustiça, depois, que se utilizem os bens comuns como bens comuns e os bens pessoais como de bens próprios.

  • O fundamento da justiça é a boa fé, quer dizer, a fidelidade e a sinceridade nas palavras e compromissos tomados. (Como seria bom se a instituição judiciária atual foi tão bonita assim... Utopia de vez em quando é bom...)

  • Existem duas espécies de injustiça: a primeira, a dos que prejudicam, a segunda a dos que, podendo, não defendem da injustiça aqueles contra quem ela é cometida.

  • É precisamente quando se mergulha na paixão pelo poder, pelas honrarias, pela glória, qua a maior parte dos homens é tentada a esquecer a justiça. [...] Mas o que há de mais grave nesse assunto é que nas mais elevadas almas e nos mais brilhantes caracteres é que na maioria das vezes se encontra a paixão das honrarias, do poder, da dominação, da glória. (Pode-se interpretar isso quase que como uma auto-crítica, pois Cícero, quando houve a conspiração maquinada sacrilegamente por Catilina, feriu o direito dos conspiradores para salvar a República.)

  • Eles [filósofos] atingem de fato a primeira espécie de justiça, impedindo-os de prejudicar outrem por uma ação injusta, mas falham na segunda, porque, monopolizados pelo gosto de aprender abandonam os que devem defender. (Frase sapientíssima de Cícero, afinal, do que adianta grande gênios que nada fazem pela sociedade. É necessário que os inte4lectuais não apenas pensem, mas ajam também!) (Isso combina bastante com esse trecho de Do Orador: Platão, decidindo pôr as sua teorias por escrito, imaginou uma cidade dum novo gênero, verdadeira quimera, que não existe senão no papel: de tal modo as suas idéias respeitantes à justiça eram sem relação com a vida real e os costumes de cada dia.)

  • A eqüidade de fato resplandece por si mesma, a incerteza indica um desígnio injusto.

  • Convém, na verdadem referir-se os princípios da justiça que coloquei no início, a saber, primeiramente, não prejudicar ninguém e emseguida servir o interesse geral.

  • Existem, realmente, duas maneiras de resolver um diferendo: um pela discussão, o outro pela força: a primeira é própria do homem, a segunda dos animais; é preciso recorrer a esta última, se a precedente é impraticável. (Maquiavel, em O Príncipe, citou esse trecho, mas não disse que fora Cícero que o escrevera. As pessoas não preocupavam com Direitos Autorais... ainda.)

  • É por essa razão que as guerras devem ser desencadeadas: que se possa viver em paz, sem injustiça; mas após a vitória, é preciso deixar viver os que, durante a guerra, não foram nem selvagens, nem bárbaros.

  • Esta [justiça], na verdade, não somente jamais prejudica alguém, mas, pelo contrário, é uma fonte de vantagens, primeiramente pela sua virtude própria e sua essência, porque acalma as almas, depois pela esperança, que transmite, que não faltará a alguma das coisas que a natureza não perversa pode desejar.

  • A injustiça, uma vez instalada num espírito, apenas por nele estar presente, o perturba. (Outra utopia...)

  • Uma concepção verdadeira convida, pois, os homens, que são sãos de espírito, à justiça, à eqüidade, à boa fé. (O mundo seria tão melhor se isso fosse verdade para metade das pessoas do planeta.)

  • Portanto, da justiça, não mais será fundamentado dizer que ela pesquisa para si mesma: o que a recomenda é a enorme abundância de satisfações que ela traz. Porque ser amada e querido é uma coisa agradável, no sentido, que ela tem, de dar à existência mais segurança e ao prazer mais plenitude. (Um pouco de fé no Direito nunca é demais.)

  • A injustiça deve, segundo nós, ser evitada, é ainda muito mais porque uma vez instalada na alma dum homem ela não lhe permite jamais respirar, jamais encontrar o repouso.

Até mais!
Vítor.

PS: Cícero era, indubitavelmente, um homem muito sábio.